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História

A Torre de S. Patrício, hoje, Casa Verdades de Faria, esteve desde sempre ligada à música pela vivência cultural dos seus sucessivos donos. Jorge O’Neill tocava piano e privava com o meio cultural e musical da época. Eram frequentes as reuniões musicais, as tertúlias onde se faziam ouvir grandes músicos interpretando obras dos maiores compositores. Por sua vez, Gertrudes Verdades de Faria promovia reuniões sociais nesta sua casa que regularmente terminavam em serões musicais, onde músicos a seu pedido tocavam no piano de cauda, que ainda hoje se encontra neste Museu.

Além desta tradição, a Casa Verdades de Faria apresenta condições naturais para a sua assunção como Casa da Música. O Salão constituído por três salas contíguas, dispostas em planos diferentes, sugere um palco com excelentes condições acústicas, uma plateia para oitenta lugares sentados e uma sala de exposições temporárias.

Na sequência deste legado e da aquisição em 1981 de uma colecção de instrumentos musicais portugueses ao etnomusicólogo Michel Giacometti, por se considerar Património de Grande Valor Cultural e Artístico, a Câmara Municipal de Cascais decidiu instalar, em 1988, o Museu da Música Regional Portuguesa na Casa Verdades de Faria. Para o efeito nomeou uma comissão instaladora, à qual pertenceu o referido etnomusicólogo até 1990, ano da sua morte, que definiu o programa base do Museu. Das várias acções desenvolvidas por esta comissão, a mais importante foi a aquisição da biblioteca particular de Michel Giacometti, não só pelo valor científico desta colecção bibliográfica, mas sobretudo porque se dotou o Museu de um Centro de Documentação especializado, imprescindível suporte ao trabalho museológico e dos investigadores.    

Mais tarde, em 1994, Fernando Lopes-Graça lega, por testamento, todo o seu espólio à Câmara Municipal de Cascais para ser instalado na Casa Verdades de Faria, e aqui ser organizado, catalogado e disponibilizado a investigadores, estudantes e demais interessados. A sua transferência decorreu no início de 1995, após a sua morte.

Com a reunião dos espólios destas duas destacadas figuras da vida intelectual portuguesa, na Casa Verdades de Faria, surge o Museu da Música Portuguesa cujo programa e o desenvolvimento de estudos reflectirão a um tempo a vertente tradicional da nossa música, conjugada com a feição não menos portuguesa mas necessariamente cosmopolita e erudita da música de Fernando Lopes-Graça.

Ao longo dos anos, o Museu tem vindo a trabalhar para recolher mais informação, sendo resultado desse propósito a recente aquisição de uma colecção pertencente ao Maestro Álvaro Cassuto, também ele residente no concelho de Cascais. Da colecção reunida pelo maestro fazem parte documentos únicos, como partituras manuscritas, autógrafos originais e manuscritos musicais, de entre os quais há a salientar 16 operetas de Eugénio Ricardo Monteiro de Almeida, um músico dos finais do século XIX, que merece ser estudado e divulgado. A colecção inclui também documentos de grande raridade, designadamente alguns periódicos musicais, cuja importância e valor só foi reconhecida tardiamente, pelo que raramente foram guardadas colecções tão completas como esta. A destacar ainda a presença neste conjunto de obras impressas de temática musical, algumas raras e valiosas, mas todas muito importantes para o estudo e ensino da música em geral e portuguesa em particular.

 

O Museu continuará a envidar esforços para fazer aumentar o seu acervo mas, regressando às duas personalidades que estão na sua origem, vemos assim concretizado o que Lopes-Graça, com o orgulho dos seus 87 anos e na esperança da perenidade da sua obra, que ajudou a preservar neste espaço, confiou a uma estudiosa: “no final de tudo, acabo por fazer a vontade ao Michel Giacometti, tantas vezes me desafiou para que deixasse as minhas coisas no Museu, junto com as dele.”